Salvador: um relato diferente do carnaval

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Receber um relato desses sempre me deixa muito, muito feliz. Ver que tem muita gente que pensa como eu, que dá valor às diferenças, ao novo. Gente que está disposto a descobrir o desconhecido.

Álvaro esteve na Bahia recentemente e contou pra gente como foi.

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“Sempre me senti atraído pelo nordeste brasileiro. Acho que justamente pela dualidade com que ele se coloca. Temos tantas informações midiáticas sobre esta região, inúmeros filmes, livros , noticias sobre seca e pobreza presentes no nosso dia dia. Por outro lado, o que realmente sabemos? O que é verdade?

Sempre quis ver isto com meus olhos, conversar com pessoas, saber de suas vidas, suas experiências. E foi com este pensamento que cheguei em Salvador em pleno carnaval.

Não tive oportunidade de ficar uns 3 ou 4 meses, como seria o ideal. Na verdade, foram apenas 4 horas, mas posso dizer que foi uma grande experiência.

Depois de conversar com alguns baianos e fazer algumas perguntas, acabei decidindo que o mais apropriado seria focar em apenas um lugar. Me fizeram inúmeras sugestões para curtir o carnaval, todos lugares bem famosos, onde um abadá chega a custar ate R$ 1200. Como não tinha grana nenhuma, nem intenção de gastar muito, decidi ir pro Pelourinho, afinal, eu fugiria dos lugares mais badalados e estaria no lugar onde  tudo começou: no coração pulsante de Salvador.

Estava bem assustado, todos diziam que era perigoso para turistas, que devido a minha cor eu seria confundido com um gringo. Um policial chegou a me dizer que eu deveria voltar e deixar minha mochila em algum lugar seguro, porém eu já não tinha mais tempo pra isto. Quando eu disse isto, ele me disse “então se alguém tentar levar tua mochila, tu sai na porrada, que uma hora a policia chega”. Neste momento eu já estava repensando se realmente queria me aventurar. Mas não sou de  jogar uma aventura fora. Decidi prosseguir.

Foi aí que o santo protetor dos viajantes entrou em ação. Na minha ânsia de conversar e falar com todo mundo que conheci, no elevador Lacerda, uma família de saropolitanos. Um casal bem jovem, com duas crianças, um menino de cinco e uma menina de 2 anos. Me informaram que estavam indo pro Pelourinho e de cara me convidaram pra ir junto. E  claro, eu topei na hora.

Ficamos caminhando entre os foliões, muita gente, alguns fantasiados e outros com as roupas de seus blocos. Foi neste momento que eu vi a expressão cultural mais forte que eu já tinha vivido e entendi um pouco do jeito de ser baiano. Era um tipo de alegria coletiva, sem apelar para a vulgaridade do carnaval carioca. O povo baiano é extremamente receptivo, caloroso e alegre. Isto me contagiou. Me senti emocionado. Nunca havia visto nada parecido, aquele povão dançando, rindo e cantando pelas ruas.

Alvaro Salvador

Os meus cicerones me levaram para comer acarajé, e eu já havia provado antes, mas não na Bahia. Então precisava tentar novamente. Talvez por não estar tão habituado a tanta pimenta, a experiência não tenha sido muito legal. Mas comi ate o final para não ser mal educado.

Alvaro Salvador 3
Depois disso continuamos a caminhar pelas ruas, e a cada minuto eu pensava que precisava voltar com mais tempo pra entender melhor tudo aquilo. Então já decidi, quero morar pelo menos uns 3 meses na Bahia.

Fomos jantar no bar do Cravinho, um bar bem famoso entre o povo que frequenta o Pelourinho. A maioria do pessoal por lá era local, acho que eu era o único turista. Comemos o prato mais tradicional, que é a moela. Confesso que achei que não ia gostar muito, porque não curto essa comida. Mas me surprendi, o sabor era extremamente bom e agradável. Tomamos umas cervejinhas, conheci mais umas pessoas e até me arranjaram um casamento. rs

Aí já tinham acabado as horas que eu tinha disponível. Tirei uma foto com a família inteira, comprei alguns briquedos para as crianças e me despedi. Agradeci infinitamente a bondade deles, e frisei o quão difícil é encontrar pessoas tão boas, e o quanto eu me considerava sortudo por tê-los encontrado. Não foi muito tempo, mas deu pra conversar bastante. Trocar experiências, saber da cultura deles e ensinar um pouco da minha. Voltei pro navio super satisfeito.

Alvaro Salvador 2

Muitas pessoas não gostam de Salvador, dizem que cheira mal, que é suja. Mas qual grande cidade não tem este problema? Viajo sempre com bons olhos, quero sempre ver o melhor de cada lugar. E os problemas realmente existem, é uma cidade perigosa e tem todos os problemas que uma capital tem. Mas o capital humano e a expressão cultural desta gente superam qualquer ponto negativo. Voltei com vontade de quero mais, e pensando de que maneira poderei incluir uma vivência na Bahia ao meu currículo. Ainda não sei, mas acredito que vou descobrir.

Claro que eu sei que o nordeste não se resume a Bahia, quanto menos a apenas uma cidade. Conheci pouquíssimo disto tudo. Preciso voltar, conhecer outras cidades, e principalmente o agreste. Mas a pequena experiência me diz que quanto mais eu conhecer, mais vou gostar.

Para quem planeja uma viagem a Salvador, recomendo que vá com a mente aberta ao desconhecido e diferente. Tente ver tudo com uma visão livre de preconceitos. Se deixe levar pela experiência. Se não for pra ser assim, é melhor escolher algum lugar mais badalado, ou ir mesmo para um resort. Porém, para mim, este tipo de coisa realmente não serve. Quero trocar informação. E assim, chegar ao mais próximo possível de um cidadão do mundo.

Álvaro Kologeski”

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